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Circular de Teatro

Circular Teatro

Release completo

Nesses mais de 20 anos o grupo percorreu vários trajetos artísticos. No início, os espetáculos abordaram a literatura com espetáculos sobre Adélia Prado (Endecha das Três Irmãs), Manuel Bandeira (Itinerário de Pasárgada), Clarice Lispector (Clarices) e José Paulo Paes (Poemas para Brincar) entre outros. Ainda na literatura criamos a intervenção teatral Canto a Canto, um espetáculo feito para uma pessoa. Ela escolhe uma das gavetas de uma caixa onde há pequenos papéis com uma palavra escrita. Conforme a palavra uma poesia e uma música é oferecida a essa pessoas.

Nos espetáculos infantis esteve sempre presente a linguagem de bonecos, muito eficiente na comunicação com o público infantil.

Foi com a aquisição de um ônibus teatro, em 2002, que As Graças começaram a enveredar pelo teatro de rua. Nascia o projeto Circular Teatro. Um ônibus reformado, com toda a infra estrutura de um teatro convencional, que leva nossos espetáculos a lugares sem teatros formais, permitindo o acesso da população ao teatro sem barreiras econômicas, etárias ou de qualquer natureza. Estávamos na rua, em praças, nos lugares públicos, disponíveis para todo e qualquer cidadão.

O que nos levou a elaborar o Circular Teatro foi a experiência com a circulação do espetáculo Poemas para Brincar. Este foi o segundo espetáculo produzido pelo grupo, um espetáculo infantil de bonecos, com texto adaptado do livro homônimo de José Paulo Paes. Estreou em 1996 e no mesmo ano ganhou três importantes prêmios de teatro infantil, MAMBEMBE – Grupo, APCA – Texto, PRÊMIO COCA-COLA – Música e Categoria Especial/Teatro de Animação. A aceitação de público e crítica do nos rendeu o convite, em 1999, do Projeto Móvel de Cultura e Meio Ambiente da Comunidade Solidária do governo federal. Nesse projeto o espetáculo percorreu o sertão de Pernambuco e Alagoas realizando 13 apresentações, passando por diversas cidades pequenas e com pouca infra estrutura.

Nesses dias em que percorremos essas cidades, conhecemos três circos de lona que percorriam a região com artistas excepcionais, conhecemos pessoas que faziam teatro de mamulengos, agentes culturais e festas tradicionais. Tivemos uma receptividade que nos encantou. Em muitas cidades a curiosidade era tanta que após o espetáculo mostrávamos os bastidores do teatro, explicando o funcionamento do teatro de bonecos. O fato de um dos bonecos ser chinês causava furor na platéia pois muitos nunca tinham visto nenhuma pessoa com traços asiáticos naquela região. “-Olha o chinesinho dos olhos travados e as ventas amassadas!”, comentou uma das crianças espantada.

Tivemos também uma acolhida calorosa como se fôssemos o circo a chegar numa cidade. Apresentamos em igrejas, escolas, centros comunitário. Em muito deles a população ajudou a divulgar e arrumar os espaços. Essa experiência nos marcou profundamente, a alegria de levar o teatro aos mais diversos cantos do país, numa genuína tradição mambembe, onde nos adaptamos as mais diversas situações levando e trazendo memórias, lembranças e experiências nos transformou. Estava definida nossa vocação: Circular com nosso teatro.

Foi em 2002, com a primeira edição da lei de Fomento ao teatro da cidade de São Paulo que pudemos por nosso sonho em prática. Resgatamos um ônibus de 1960 da garagem de um amigo e transformamos em um ônibus teatro. Os espetáculos Poemas para Brincar (infantil) e o Tem Francesa no Morro (adulto) feitos para palco italiano foram adaptados à estrutura do ônibus e percorremos com eles as cinco regiões da cidade de São Paulo. Depois foi a vez de adptarmos O Voo, direção de Cláudio Saltini, texto de Regina Galdino. O espetáculo era apresentado dentro do ônibus. O público assistia de fora, e numa grande janela na lateral do ônibus o espetáculo acontecia. Uma nova forma de utilização do Circular teatro.

Começamos um mergulho no teatro de rua e uma série de questões se impuseram: Onde nos apresentamos? Qual é nosso público? Do que falamos? Dessas perguntas nasceram o primeiro espetáculo feito diretamente para a rua, que falava das nossas andanças por São Paulo e que buscava o teatro popular e seus elementos. Chamamos para dirigir este espetáculo o Ednaldo Freire da Fraternal Cia de Artes Malas-Artes, que junto com o dramaturgo Luís Alberto de Abreu dedica-se ao resgate da recriação de formas tradicionais populares. Trabalhamos a comédia musical com as músicas de Adoniran Barbosa. O espetáculo faz rir e chorar, trabalha com elementos populares, como a música, os acontecimentos que agregam pessoas nas ruas como casamento, atropelamento, a bebedeira, a malandragem. Com ele percorremos a cidade de São Paulo, diversos estados brasileiros e muitos festivais de teatro.

O Circular Teatro tem sido nosso carro chefe e orienta a pesquisa do grupo. Já produzimos exclusivamente para o Circular Teatro, além do Nas Rodas do Coração, outros espetáculos:

Noite de Reis, 2006 de William Sheakespeare, com direção de Marco Antônio Rodrigues, que buscava apresentar uma dramaturgia potente e popular na rua. Como Saber? 2008 com direção Leris Colombaione, palhaço italiano, de família tradicional de circo. Ainda Seguindo a busca por um teatro popular, que a linguagem direta e cômica do palhaço proporciona.

Marias da Luz, 2013, dramaturgia de Daniela Schittini e Nereu Afonso, com direção de André Carrera, que rompeu com os limites do palco atrelado ao ônibus e é encenado na rua em proximidade com o público, sem diferenciação de palco e platéia que acompanha as atrizes que se deslocam pelo espaço. O ônibus passa a ser um personagem da peça, transformando-se em um trem, em teatro e em suporte para cenário.

Quem vem de longe, 2018, dramaturgia de Nereu Afonso e direção de Cristiane Paoli Quito. O espetáculo trata dos deslocamentos humanos e o ônibus passa a ser quase um símbolo do deslocamento. O espetáculo é encenado como um conversa com o público, acolhendo quem vem de longe para ver o espetáculo.

Fizemos duas grandes expedições com o nosso Circular Teatro. A primeira delas viajamos 12 capitais dos estados brasileiros com o espetáculo Marias da luz em 2014 como patrocínio da BR Petrobras.

Depois em 2016 com o espetáculo Nas Rodas do Coração, Poemas para Brincar e Canto a Canto, acompanhamos o rio Jequitinhonha da sua nascente em Serro-MG até a sua foz em Belmonte-BA. Apresentamos nas cidades ribeirinhas, onde pudemos ver de perto a forte cultura das cidades extremamente marcadas pela presença do rio. Esse projeto foi comtemplado pela edital Myriam Muniz de circulação.

8 de junho de 2016
Nas rodas do coração
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21 de maio de 2018
Bessarábia
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    4 de maio de 2018

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